Sinopse do livro novo.

Sinopse do livro novo.

Intenciono escrever um livro, um romance, onde discutirei temas atuais e relevantes para a sociedade, temas como racismo, feminismo, vida de artista, o lugar da mulher em vários contextos – familiar e profissional. Também a pandemia, o estresse do isolamento, contexto histórico, sócio-político, etc.

Tenho já traçado o enredo, algumas personagens já definidas, creio que este será meu primeiro romance a ser pensado antes de vir à luz. Tenho escrito outros livros, mas todos até hoje foram escritos de forma intuitiva, muito visceral.  Dessa vez tenho em mente, organizado, o que pretendo alcançar com esta obra.

Penso que é chegada a maturidade literária, usarei tudo que tenho acumulado de experiência, tanto vivida quanto observada para produzir um livro que seja de fácil acesso a todo tipo de leitor. Nada das grandes digressões filosóficas que tenho inserido nos meus romances.

Os protagonistas serão os membros de uma família de classe média. Marido, um jornalista e músico, escritor de 45 anos. A esposa, uma mulher negra de 35. Jornalista chefe de redação de um grande jornal.

O casal tem um filho de 5 anos. O cenário será este atual, pandemia, e todas as dificuldades vividas por pessoas reais. Falta de emprego, inflação, desvalorização da pessoa humana, sobretudo por líderes governamentais.

O estresse na relação do casal, se dará pela rotina a eles exposta. As inquietações quanto ao futuro, o enfraquecimento da democracia no Brasil e no mundo… Temas como esses serão trazidos à voga, por isso, o casal escolhido, para que tenham franqueza ao discutir tais assuntos tão importantes para nossa vida atual.

PRIMEIRO CAPÍTULO

Primeira cena:

Na cozinha, o marido faz o jantar. Distraído e escutando música com fones de ouvido.  É jazz, a música que escuta, por isso não percebe a esposa chegar. Ela abre a porta e vai até a cozinha.

-Boa noite, meu amor- diz a esposa de modo meigo, depois beija o marido, mas demostrando bastante cansaço.

Marido: Boa noite, morena linda, como foi seu dia? Parece cansada, vá tomar seu banho enquanto eu termino de fazer o jantar. Hoje temos risoto de cogumelos. E vinho, afinal hoje é sexta feira. A esposa beija o marido outra vez e lhe envia um sorriso de gratidão com o olhar.

No banheiro:

A mulher tira a roupa e entra na banheira que já estava preparada pelo marido, que a esperava com boas intenções românticas, era sexta-feira, dia em que o casal costumava fazer uma farrinha. O filho já estava dormindo, pois o pai tinha tudo sob controle, havia deixado o filho na piscina durante a tarde, por isso o garoto caíra na cama logo ao anoitecer.

O leitor pode imaginar que a cena na banheira devia ser mais explorada, sobretudo a sensualidade da mulher negra e muito bela, na flor da maturidade física. Talvez deseje que o marido vá ao seu encontro, e que entre na banheira e faça amor com uma mulher linda, porém cansada. Contudo, trata-se de um cavalheiro, um artista muito sensível, e sobretudo bom companheiro.

Logo a esposa chega na sala de jantar, vestida com um roupão de seda bege, cheirosa e relaxada. A mesa está posta, o marido vai na adega e pega um vinho, era costume desfrutar de boa comida, sempre feita pelo marido e acompanhados de um bom vinho chileno.

Esposa:

 Hum, que risoto cheiroso. Estou morta de fome, o dia foi puxado – não almocei, só tomei café o dia todo.

Marido:

Você vai acabar arrumando uma gastrite. Você trabalha de mais, este seu chefe explora sua boa disposição. Um dia, se quiser pode deixar este emprego, arrumar um jornal menor, ou mesmo uma TV, você é muito competente, devia sair do jornal, é muito puxado.

Esposa:

Talvez tenha razão, mas agora isso é impossível, nunca a imprensa foi tão necessária para esclarecer a sociedade sobre a pandemia. Você está sabendo?

Marido: o que?

Esposa:

A ocupação das UTIS está chegando aos 100%, o governo está contratando mais servidores da saúde, também vai construir vários hospitais de campanha para desafogar o sistema público.

Marido:

É, eu vi na TV, meio-dia, mas você sabe que estas medidas são paliativas, não resolvem o problema, o que vai resolver mesmo vai ser a vacina, quando pelo menos 70 % da população for vacinada.

Esposa:

Vacina, vacina sim. Mas nem a vacina chega a tempo, nem o povo adere a ela de forma plena, apenas uma parte da população tem consciência do valor e da eficácia da vacina. Sabia que até mesmo colegas meus fazem parte do gado, dos alienados que trabalham contra a ciência e o bom senso? Estou falando demais, vamos tentar relaxar, esquecer um pouco o mundo lá fora, toda esta estupidez humana – me conta você, como foi seu dia?

Marido:

Normal, a mesma rotina, você sabe. Mas fiz uma nova canção, deixe eu te mostrar. Como quer ouvir? Já fiz uma gravação só com o violão, espera, vou pôr no som.

O marido, empolgado com o interesse da esposa, pega o celular e acessa seu canal no youtube e toca a música.

MULHER

Mulher, você sabe dizer a coisa certa

Com uma palavra me desperta

Para um novo amanhã.

Mulher, você sabe fazer a coisa certa

Determinada e discreta toma sua posição.

Mulher, você que organiza minha vida

Me dá paz, me dá guarida

Neste imenso coração.

Mulher, você que sempre esquece as desavenças

Não discute as minhas crenças

Sempre dá o seu perdão.

Mulher, você que sempre está junto ao meu lado

A caminhar de braços dados, numa mesma direção.

Eu sem você sou rancho velho abandonado

Terra infértil, chão cansado

Não produzo mais o pão.

Fim da canção.

Marido:

O que achou? Seja franca.

Esposa:

Achei machista, não toda.  Têm partes muito boas, mas esta estrofe que diz que a mulher não discute suas crenças, anda na mesma direção, sempre perdoa, achei de fato fora do tempo em que vivemos. Desculpa, mas você pediu minha opinião.

Marido:

Será? Já ouvi isso hoje de duas pessoas. Primeiro foi de um maestro, amigo das antigas. Hoje ele é casado com uma cantora feminista, o curioso é que ele disse a mesma coisa que você. O outro foi meu amigo Paulo Betti, perguntei se o poema era machista, ele riu e disse que era lindo, porém um pouco fora do discurso atual.

Esposa:

É, o mundo mudou bastante nestes últimos anos, é claro que tem toda uma beleza da mulher ideal, talvez no seu inconsciente seja esta, a mulher que você deseja ter, organizada, dona do lar, mãe presente, e esposa submissa. Será que é isso?

Marido:

Não pensei nisso, ainda. A poesia vem e eu escrevo, não foi pensada em que contexto histórico e social ela se enquadraria, mas é um assunto para uma reflexão, não sei se vou mexer no poema, mas acredito que você tenha um pouquinho de razão, afinal, a medir por você, esta canção não lhe serviria. É você quem trabalha fora, hoje é quem banca todas as despesas da casa, a miséria que eu ganho com venda de livros e das plataformas de música não daria nem para o vinho que tomo. Sou como muitos artistas, sobretudo agora nestes dois anos de pandemia, pessoa descartável. Estou fora do mercado, aliás sou apenas consumidor não produzo nada de essencial, a arte neste país nunca foi tão desvalorizada.

A propósito, hoje recusei um convite para tocar numa casa na Asa Norte, aquela, Encanto das Artes, disse para o gerente que me ligou, que eu não podia atender seu pedido, a taxa de transmissão está muito alta, ainda morrem mais de mil pessoas por dia, mesmo assim, parece, pelo menos para algumas pessoas que a vida já voltou ao normal, ao que era antes.

Esposa:

Não fique chateado, meu amor. Você é muito útil para mim e para seu filho, o que seria de nós sem você? Desde do início, quando dispensamos da Júlia, que cuidava da casa, tem sido você nosso salvador. Você não acha que o que faz por nossa família, enquanto eu trabalho é importante? Sem contar que você é o marido melhor do mundo, pelo menos eu acho.

Marido:

Só você acha, na verdade isso deve bastar. Vamos beber este resto de vinho, depois que se abre uma garrafa temos que consumir tudo ou jogar fora, vinho velho aberto não presta, eu li que pode fazer muito mal para a saúde.

Esposa?

Esta bem, eu nunca ouvi falar isso, mas quem entende de vinho aqui é você. Vamos beber tudo. Afinal como diz certo escritor, “hoje é sexta feira, está decretado.” Risos.

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