A VINGANÇA DE SHAKESPEARE-CRÍTICA

Elenco:
Carlos Bonow/Priscila Ubba/Sérgio Abreu/Renatta Pirillo/Camila Mayrink
Ator convidado: Roberto Pirillo

Ontem estive no teatro, pela segunda vez, aqui no Rio de Janeiro, fui atraído por um anúncio de uma peça, que apriori parecia uma nova edição de Romeu & Julieta, mas o título intrigante me fez ler com mais cuidado e compreender que não era uma nova edição de uma das obras mais encenadas no mundo.

                A vingança de Shakespeare é uma inovação muito criativa e oportuna, sem contudo perder todo o teor do clássico inglês. A peça tem uma proposta muito interessante, colocar o público dentro de um universo até então desconhecido e nebuloso, o fabuloso mundo shakespeariano.

                O espetáculo começa com dois atores se dirigindo ao palco, durante o caminho travam um diálogo muito esclarecedor, sobre o enredo da peça. Um novato é recrutado por um amigo para assumir o papel de um certo Vitor, que não faz mais parte do elenco. No decorrer da trama-trágica será revelado o motivo da substituição.

                André Costa, autor do texto limpo, impecável, teve muito êxito também na escolha dos atores que são deveras muito talentosos e experientes. O tempo é tão perfeito entre o trágico e o cômico, que tudo flui tão naturalmente, que se parece com improvisação de jazz.

                A sapiência, a força intelectual e a estética de Shakespeare não oferecem muito espaço para se acrescentar muita coisa. Harold Bloom diria que nada se pode acrescentar ao que é divino. Discordo plenamente, pois toda obra deixa de ser do autor quando é publicada. Por isso penso que PEÇA como essa tem muita relevância, como pano de fundo para se discutir outros temas, como por exemplo, no caso em debate, o feminismo, que ora se faz presente, não na voz feminina, como era de se esperar, mas na voz de um homem, que quebra todas as regras propostas pela obra original e nos apresenta outras leituras dos personagens épicos, e sobretudo das possíveis intenções do gênio inglês, ao dar vida à Julieta.

                É justamente o calouro, o ator novato quem nos surpreende com sua rebeldia, quebrando todo protocolo, fazendo com que o público saia da zona de conforto e possa pensar junto com o personagem-ator, que ora ensaia uma peça que não é o cerne do espetáculo.

                Poderia dizer, com adjetivos simples que a peça é sensacional, magnífica, impactante, mas prefiro usar a expressão dionisíaca e dizer que foi uma epifania, explorar dentro deste vasto universo outras nuances que são propostas pelos atores durante o ensaio, ou na verdade durante a PEÇA principal, pois como dito, Romeu & Julieta entra apenas uma vez por outra para o centro do enredo. O que mais me fascina é o texto adicional, é claro que a poesia original se faz presente, contudo quero enaltecer a ousadia e a coragem do autor e dos atores envolvidos.

                Vá ao teatro, eu vivi esta magia depois de dois anos de isolamento, PEÇA como essa nos faz lembrar da força que habita o espírito das artes, por tantas vezes evocado como Dionísio, o Deus do vinho, da alegria e do renascimento.

Para comprar ingresso

siga o perfil da peça no instgram.

@avingancadeshakespeare

Evan do Carmo é Poeta, escritor e jornalista.

De Brasília.

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