QUANDO EU FOR MÃE QUERO AMAR DESSE JEITO-CRÍTICA

Vi a peça, assim que cheguei aqui no rio de janeiro, a mesma se encontra em cartaz no teatro Cara Nunes, mas fui para conferir duas atrizes bem conhecidas, talvez por este motivo pensei que seria uma peça especial. Não foi, trata-se de uma comédia clichê, com apenas três atores, Vera Fischer, Larissa Maciel e Mouhamed Harfouch.

O texto simples, nada incomum, duvidosamente divertido, com requintes de humor e sarcasmo ácido, beirando o bizarro-extravagante. Contudo a atuação de atores veteranos salva o enredo fraco, com um final exagerado, com nuances de crueldade, pois o suicídio da mãe para que, segundo a proposta do autor deixasse o filho e a nora em paz, é de muito mau gosto.

Não costumo escrever sobre uma obra com objetivo apenas de elogiar ou de criticar de forma negativa. Todavia, algo me chamou a atenção, foi o fato do teatro está lotado. Não consigo entender, mas tudo indica que deram muitas cortesias. Não foi só por isso que lotou, lotou pela urgência que temos de nos divertir, depois de tanto sofrimento causado pelo isolamento social, ir ao teatro é, como bem se diz, um ato de resistência, uma forma de renascimento.

Sobre a importância cultural da obra em questão, creio que não acrescente muito ao bom gosto de quem procura entretenimento e deleite intelectual. Hoje, especialmente no Brasil não se pode mensurar valor artístico com popularidade, a frase célere de Nietzsche se aplica muito bem neste meu contexto: “a mediocridade é popular.”

Dei algumas gargalhadas forçadas, pois devia me mostrar contente para minha esposa, e quero deixar claro que não sou obtuso quanto a me divertir com coisas simplórias, desde que sejam originais, o problema é que minha expectativa foi muito rebaixada.

 Quando penso em teatro, penso em grandes obras sendo encenadas, sendo acessíveis ao povo comum, obras como as peças de Shakespeare ou de Nelson Rodrigues. Não culpo quem se deleita com riso fácil, eu não consigo, contudo tentei me distrair e ficar calado, quanto ao nível do espetáculo, mas não consegui.

Texto: Eduardo Bakr
Direção: Tadeu Aguiar
Elenco: Vera Fischer, Larissa Maciel e Mouhamed Harfouch
Cenário: Natália Lana
Figurino: Ney Madeira e Dani Vidal
Desenho de luz: Daniela Sanchez
Trilha sonora original: Liliane Secco
Assistência de direção: Flavia Rinaldi
Coordenação de produção: Norma Thiré
Foto: Carlos Costa
Assessoria de imprensa: Barata Comunicação

Evan do Carmo 22/03/22

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