MASSACRE EMOCIONAL

Hoje foi segundo dia mais letal da segunda onda, sendo superado apenas pelo dia 7 de janeiro, dia com mais vítimas de toda a série histórica

Sempre me impressionou sobremaneira, este que foi o maior evento catastróficos da humanidade, o holocausto . É fato que nunca seremos os mesmos, depois do que vivemos como seres humanos. Perdemos nossa dignidade e até hoje não conseguimos restaurá-la, pois sempre nos vem à tona o nazismo como ferramenta cruel para nos reduzir a pó, em sentido moral e espiritual.

Nunca imaginei que pudesse presenciar algo semelhante com os meus próprios olhos. Fala-se em 6 milhões de judeus mortos por Hitler e seu partido diabólico, sempre achei que isso fosse nosso maior feito com ações conscientes de intolerância e xenofobia.

Contudo, tive que viver uma experiência similar para me surpreender por algo que jamais pensei ser capaz de suportar. A pandemia da Covid 19, se for me ater apenas ao que ocorreu no Brasil já seria algo superlativo, concernente ao poder que os homens têm para fazer os outros sofrerem, com um mal que a sabedoria emocional mediana seria capaz de evitar.

Ficamos paralisados, sobretudo com a incapacidade administrativa dos líderes mundias, em prever uma calamidade como tem sido ate hoje a crise mundial de saúde, provocada pela pandemia. Porém, vou ficar apenas com o Brasil como modelo épico desta insuficiência político-administrativa como exemplo. Sofremos um massacre emocional com proporções similares àquele vivido pela geração que presenciou o holocausto.

Descaso e omissão

(…) O colapso em Manaus tem raiz bolsonarista. Em dezembro, o governador do estado, Wilson Lira (PSC), rejeitou apelo de cientistas pelo fechamento do comércio não essencial. Epidemiologistas emitiram uma série de alertas sobre o favorecimento das atividades econômicas poderia provocar. Na época, a decisão – que hoje se revelou desastrosa – foi comemorada por apoiadores incondicionais do presidente Jair Bolsonaro.

A pressão do povo funcionou em Manaus. O governador voltou atrás em seu decreto de lockdown. Parabéns, povo amazonense, vocês fizeram valer seu poder”, disse a deputada federal Bia Kicis (PSL-RJ), uma das bolsonaristas mais radicais. Também na ocasião, o deputado e ex-pretendente a ministro da Saúde, Osmar Terra (MDB-RJ), que tem formação médica mas nega a ciência, chamou a imprensa de “alarmista” e chegou a dizer que “Manaus tem queda importante de óbitos mostrando imunidade coletiva de rebanho”.

No dia 26 de dezembro, o filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também comemorou o que viria a ser o desastre. “Primeiro Búzios, agora Manaus. Todo poder emana do povo”, disse, em referência às cidades que, no fim do ano, fizeram mobilizações e aglomerações para rejeitar medidas de isolamento social. A cidade no litoral fluminense também vive seu pior momento da pandemia de covid-19 desde o início do surto, em março.(…)

Eu vi na TV, pessoas morrendo com falta de ar, familiares desesperados em filas para tentar comprar, por conta própria, oxigênio para doar ao hospital onde seus entes queridos, pais, mães estavam internados. Enquanto governos, justiça e sociedade discutiam para encontrar um culpado pelo crime, tragédia anunciada que ninguém deu atenção.

Quando digo que sofremos um massacre emocional estou minimizando a situação, pois para quem perdeu parentes e amigos, este massacre foi muito mais severo e de modo irreparável. Contudo, nós os sobreviventes, que suportamos tudo isso sem adoecer ou enlouquecer, e que conseguimos ver a vacina chegar, especialmente para aqueles que mais precisavam, sofremos apenas de forma emocional, mas esta experiência nos transformou, e de certa forma ficamos aleijados, perdemos como que braços, pernas, e sobretudo a nossa dignidade humana, pois quando temos verdadeira empatia, passamos a ser também vítimas do mesmo mal, do mesmo sofrimento.

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