O EXPRESSIONISMO DE VÂNIA FERRO

O EXPRESSIONISMO DE VÂNIA FERRO

Vânia Ferro. Nascida em Parauna-GO, graduada e pós graduada em arte visual pelo Instituto de Arte da UFG, instituição que hoje é a Faculdade de Artes Visuais.

Nas décadas de 70 e 80, tivemos um dos momentos de grande efervescência no setor da arte visual em nosso Estado, era a consolidação dos princípios do modernismo, implantado no nosso meio por mestres como DJ Oliveira (1932 – 2005 ), Nazareno Confaloni (1917 – 1977), Gustav Ritter (1904 – 1979), entre tantos outros artistas nascidos aqui, ou migrantes, como os supracitados que convergiram de fora, trazendo suas influências para se juntarem à arte local. E isso resultou em nossos dias, na multiplicidade de estilos e técnicas, na fatura da ainda jovem história da arte Goiana.

Hoje, todos os sete estados de arte, desde a tecnológica até a tradicional (ou vice-versa) estão presentes no pulsante ambiente artístico e cultural desse importante estado da federação brasileira, a exemplo da pintora, escultora e desenhista Vânia Ferro. Nascida em Parauna-GO, graduada e pós graduada em arte visual pelo Instituto de Arte da UFG, instituição que hoje é a Faculdade de Artes Visuais.

Vânia Ferro iniciou sua bem sucedida trajetória artística no ano de 1975, e tem participações em exposições tanto no Brasil, como no exterior. Tive a grata satisfação de viajar com ela em um momento que participamos de uma exposição coletiva na Galeria Art’ Et Miss, no ano de 2013 em Paris.

O primeiro contato que tive com o trabalho artístico de Vânia Ferro, foi quando ela inaugurou uma exposição individual, de 14 à 28 de outubro de 1982, na Galeria Frei Confaloni, que na época funcionava em uma sala do Museu Zoroastro Artiaga situado na Praça Cívica de Goiânia. Fiquei impressionado com vitalidade da pintura em estilo figurativo da jovem artista, que apresentava uma leve influência de DJ Oliveira, mas já era senhora de seu imaginário, onde mãos dramáticas movimentavam em constantes presenças nas superfícies de suas telas em tonalidades magentas, vermelhos, laranjas e violetas além do branco que iluminava as figuras em coreografias inusitadas. Aliás, essa artista tem uma atenção, ou um foco nas mãos e bocas humanas, que, como metáforas visuais sempre esteve presentes nas esculturas, desenhos ou pinturas de Vânia Ferro.

No folder da referida mostra na Galeria Frei Confaloni, o professor e crítico de arte Emílio Vieira apresenta a então neófita Vânia assim: “A série de quadros que hora se expõem, e que resolvemos denominar CHAPEUS, MÃOS E MÁSCARAS, traduz uma visão coerente e gradativa do homem em três dimensões: a individual, a social e a de transição entre o universo interior e exterior (a ambiguidade), em que nos identificaremos mesmo se através da imagem autobiográfica da própria pintora – pois no nível em que ela nos apresenta seus quadros, eles constituem a superação de uma história íntima para atingir uma qualidade estética: o que importa é ser a arte a criação de uma supra – realidade (Massaud Moisés), com os dados profundos, singulares da intuição da artista “.

Toda ação do criador, como parte de seus desejos externados, plasmados em forma do objeto místico, conscientes ou não, é uma extensão de si mesmo, por isso que toda a produção do artista é autorretratado sua semelhança em corpo e alma; a obra de Vânia não é diferente dessa regra, tudo reflete sua generosidade como ser humano. Uma mulher de personalidade forte, ativista dos direitos humanos, engajada nas lutas de classe, e a favor da ampla liberdade das manifestações artístico/cultural seja ela onde estiver…

Se a obra da artista a princípio era figurativa, com o passar do tempo sua produção foi se abstraindo até chegar à gestos quase caligraficos abstração total, no entanto as cores permanecem fortes como no princípio.

Se na sua juventude, a sua pintura era um expressionismo de alma, de movimentos calculados entre a figura humana e suas vizinhanças, agora na maturidade a pintura de Vânia atinge o apogeu do expressionismo puramente emocional, catarse nas pinceladas livres, automatismo rítmico policromatico.

A passagem da figura para a abstração em Vânia Ferro é suave, sem provocar uma ruptura de fato, ao ponto de algumas vezes, serem facilmente detectados os motivos figurativos, que por ventura, tenham levado suas pinturas aos postulados da abstração. Esse estado de consciência pictórica é conquistado através do tempo sistemático e da sensibilidade singular da autora.

Abraço fraterno, e gratidão por seu belo trabalho, Vânia Ferro.

Nonatto Coelho.
Artista e pesquisador.

Inhumas, 11 de agosto de 2022.

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