Todos os posts de Evan do Carmo

Jornalista, escritor e poeta Evan do Carmo, Nascido na Paraíba em (29/04/64) é poeta, escritor, romancista, jornalista, músico, filósofo e crítico literário. Fundou e dirigiu o jornal Fakos Universitário. Criou em 2009 a revista Leitura e Crítica. Tem 22 livros publicados, sua obra está disponível em 12 países, (um livro editado em inglês. (O Moralista) Entre outros estão: O Fel e o Mel, Heresia poética, Elogio à Loucura de Nietzsche, Licença Poética, Labirinto Emocional, Presunção, O Cadafalso, Dente de Aço, Alma Mediana, e Língua de Fogo. Participou também com muitos contos em antologias. Foi um dos vencedores do concurso Machado de Assis do SESC DF de 2005. Em 2007 foi jurado na categoria contos do concurso Gente de Talento 2007 promovido pela Caixa Econômica Federal, ao lado de Marcelino Freire. Em 2012 criou e editou até 2015, os Jornais: Correio Brasília, Jornal de Vicente Pires, Jornal de Taguatinga e o Jornal do Gama. Evan do Carmo é estudioso da obra de José Saramago, em 2015 publicou o livro Ensaio Sobre a Loucura, e o livro Reflexões de Saramago, momentos antes de sua morte, o livro nos oferece um panorama perfeito na voz do próprio Saramago em forma de ficção ensaísta, sobre a obra do Nobel Português. Em 2016 criou a Editora do Carmo e o projeto Dez Poetas e Eu, onde já publicou 100 poetas, e o livro Um Brinde à Poesia, uma obra de coautoria com outros poetas contemporâneos. Como editor realizou o sonho de mais de 500 autores, a maioria autores sem recursos, que não podiam publicar suas obras, entre muitos autores carentes estão dezenas de poetas e escritores africanos, de Angola e Moçambique. Palestras e oficinas literárias (61) 981188607

Bolsonaro e Michelle enfrentam crise

Bolsonaro e Michelle enfrentam crise e devem viajar separados na posse. Em meio à nova crise conjugal, Michelle disse a Jair Bolsonaro que não quer acompanhá-lo na viagem para os Estados Unidos

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Bolsonaro e Michelle enfrentam crise e devem viajar separados na posse | Metrópoles

Em meio à nova crise conjugal, Michelle disse a Jair Bolsonaro que não quer acompanhá-lo na viagem para os Estados Unido

Religião se discute.

Há quem diga que não se deve discutir ou dar opinião sobre religião. Estes tratam a religião, sobretudo atualmente, como um tema sensível. Penso diferente, não tenho dificuldade para falar sobre este tema. Pergunto: O que houve com a fé, com a religiosidade dos brasileiros? Nos últimos anos, talvez por um efeito ainda não estudado da pandemia, o fato é que as pessoas se tornaram mais apaixonadas, mais intolerantes, mais donas da verdade, ou de uma mentira bem propagada, quando o assunto é religião.

Grande parte das pessoas que foram aliciadas, atraídas e enganadas por falsos pastores, e até por um falso Messias, são pessoas crédulas, gente honesta, que sempre cultivou o conceito patriarcal, diria até tribal, de que se deve honrar, ouvir e obedecer o líder religioso, seja ele padre, pastor ou rabino, líderes de que qualquer segmento espiritual. No entanto, o que aconteceu no Brasil foi a revelação da hipocrisia religiosa, que sempre foi maquiada por discursos moralistas. Contudo, os argutos, pessoas mais esclarecidas sempre souberam da ligação desses líderes com o sistema político, e até com as guerras, mas o povo não se preocupava em pesquisar a vida desses homens, que hoje na verdade são conhecidos como pessoas influentes no meio político, são verdadeiras celebridades.

Revelou-se então a verdadeira face da religião, sobretudo da evangélica, dessa parte que aceitou se envolver na lama da corrupção política atual. Criaram facções, milícias transvestidas de crença religiosa, construíram até um mito, uma mentira em cima da cláusula pétrea da verdade. Exemplo: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Quem cunhou esta frase máxima em sabedoria espiritual sabia aplicá-la em um contexto ideal, justo. Foi o mesmo autor da frase: “Pelas obras conhecereis os homens.”

Que lição estas pessoas, que hoje sabem que foram enganadas, podem tirar de tudo isso? Devem abrir os olhos, pesquisar a origem das crenças, verificar se os líderes vivem de forma coerente com aquilo que pregam. A verdade pode de fato libertar as pessoas, desde que elas tenham capacidade de reconhecê-la, nas palavras e nas ações dos homens que se dizem portadores dela.

Evan do Carmo

Leticia Sales, de Pantanal, será vilã em novela inédita da Globo

Foto revista istoé…

A atriz Leticia Sales, que viveu Filó na primeira fase de Pantanal, conquistou o público e a atenção dos diretores da Globo e acabou ganhando um papel de destaque na próxima novela das sete da Globo, que vai substituir “Cara e Coragem”.

Agora, segundo o site Notícias da TV, atriz que dividiu papel com Dira Paes será a vilã de “Vai na Fé”, título do folhetim da Globo. Já, de acordo com o colunista Flávio Ricco, a personagem será uma vilã engraçada, fazendo Letícia mostrar um perfil diferente daquele que vimos quando ela viveu a cozinheira de Pantanal.

Escrita por Rosane Svartman, a novela conta a história de Solange, uma mulher que vende quentinhas com a ajuda de sua amiga Bruna. Sabendo da concorrência, ela acaba criando um funk composto na hora de acordo com as receitas do dia. A ideia é atrair cada vez mais clientes e ganhar muito dinheiro para pagar as contas do mês.

A ideia dá certo, mas, como nem tudo é perfeito, a protagonista da novela precisa se entender com o marido, que está desempregado e vive pedindo dinheiro.

https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2022/07/11/leticia-sales-de-pantanal-sera-vila-em-novela-inedita-da-globo/

A IDEOLOGIA FEDE

Há no Brasil atualmente duas caixinhas ideológicas, artistas não conseguem fugir do lugar-comum, de ser de uma ou de outra ideologia, tudo é representatividade, ideologia de gênero, antirracismo, segmentos religiosos e conceitos partidários de esquerda ou de extrema direita. 

Se um artista não faz parte destas representações culturais, está fora da ordem mundial. A arte é maior que tudo isso, o mundo gira, as ideologias mudam, se transformam, e os artistas que produzem arte vinculada à ideologia de qualquer natureza passarão, serão deixados para traz, juntos com seus ativismos temporais. 

Você não consegue encontrar representatividade cultural específica nos grandes clássicos. Diga-me, por exemplo, a qual ideologia Beethoven e Van Gogh pertenciam?

A IDEOLOGIA FEDE

A ideologia fede
de qualquer seita
de qualquer estipe
agnósticos ou fariseus
os vermes ideológicos
comem a carne do filósofos
a carne dos poetas, dos crentes
dos físicos e dos metafísicos,
dos incrédulos e dos ateus.

A ideologia fede,
e quem a defende se compromete
ela explora fraco e forte
come a cérebro do filólogo
come a língua do antropólogo
e o homem que é indouto
escraviza até à morte.

A ideologia fede,
prende a mente do matuto
lesa a Pátria, rouba tudo
que a natureza tem
natural é ser liberto
da ideologia Mor
que transforma o homem livre
que pratica só o bem
em maluco sem amor.

Evan do Carmo

Funcionários da cozinha e limpeza do TSE param trabalho para ver diplomação de Lula

Durante a cerimônia de diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta segunda-feira (12), funcionários da cozinha e limpeza da corte eleitoral pararam tudo o que estavam fazendo para acompanhar o discurso do petista.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram os trabalhadores atentos à fala de Lula, gravando o discurso emocionado do presidente eleito.

O fato de os funcionários terem parado o trabalho pra ver o petista fez com que internautas relembrassem uma fala do presidente eleito durante um dos debates entre presidenciáveis na época de campanha eleitoral. Em resposta à então candidata Soraya Thronicke, Lula disse que a empregada doméstica, o jardineiro e classe trabalhadora como um todo vivenciaram os programas sociais de suas gestões.

“A senhora diz que não viu esse país que eu falei acontecer. O seu motorista viu, o seu jardineiro viu, a sua empregada doméstica viu. Você pode perguntar para sua empregada doméstica, que ela viu que esse país melhorou. Ela viu que ela podia almoçar e jantar todo santo dia, que ela podia tomar café. Ela viu que o filho dela poderia entrar numa universidade. Porque os pobres, efetivamente, cresceram nesse país e conquistaram cidadania”, disse Lula no debate.

Senador vitalício: Pacheco diz a Lira que não vai rolar

  • Ex-presidentes teriam direito a cargo de senador vitalício, mas não ao voto em projetos do Senado
  • Ao todo, pelo menos seis vagas seriam adicionadas
  • Na prática, medida blindaria Jair Bolsonaro de acusações na Justiça

Nos últimos dias, o senador Eduardo Gomes (PL-TO), líder do governo no Congresso, tem buscado apoio entre os colegas parlamentares e desenhando uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria o cargo de senador vitalício.

O debate já tinha vindo à tona na véspera do 2º turno, antes da derrota eleitoral de Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, no fim de outubro, parlamentares do Centrão se articulavam para analisar a viabilidade da pauta.

A informação à época foi revelada pelas jornalistas Andreia Sadi, Natuza Nery e Julia Dualibi no podcast Papo de Política, do g1.

Quais as funções do suposto senador vitalício?

Na proposta, os ex-presidentes da República poderiam participar:

  • Atuar normalmente das atividades congressistas
  • Integrar comissões temáticas
  • Discutir projetos de lei

Os senadores vitalícios, contudo, não poderiam:

  • Voto em emendas ou projetos
  • Participar do processo de escolha do presidente do Senado

Quem teria direito ao cargo de senador vitalício?

Seria uma espécie de conselho de alto nível. Na prática, teriam direito:

  • José Sarney;
  • Fernando Collor de Mello;
  • Fernando Henrique Cardoso;
  • Dilma Rousseff;
  • Michel Temer e, posteriormente,
  • Jair Bolsonaro (PL), que está finalizando o mandato único.

Depois que deixar o Palácio do Planalto, o futuro ex-mandatário perderá o foro privilegiado e poderá responder a na Justiça comum. Eleito, Lula não seria contemplado com o cargo, a príncípio, enquanto estiver no mandato presidencial.

Quais crimes Bolsonaro pode responder quando perder o foro privilegiado?

Sem o foro privilegiado, Bolsonaro corre o risco de responder por crimes dos quais é suspeito, como por exemplo a prática de rachadinha em seu gabinete, quando era deputado federal. Além disso, Bolsonaro é acusado de nove crimes no relatório final da CPI da Covid. São eles:

o discurso de Lula ao ser diplomado

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou nesta segunda-feira (12) ao ser diplomado para o futuro cargo que recebe o documento “em nome da liberdade, da dignidade e da felicidade do povo brasileiro”.

Em discurso de 14 minutos, Lula se emocionou por diversas vezes e disse que o diploma não era só dele, mas “de uma parte significativa do povo, que reconquistou o direito de viver em democracia nesse país”.

Antes de falar o que está escrito no meu discurso, eu queria, companheira Dilma, companheiro José Sarney, companheiros deputados, senadores, governadores, ministros, juízes, companheiros que participaram da vigília em Curitiba, companheiros dirigentes partidários, companheira Gleisi Hoffmann.

Em nome do meu partido, eu quero que vocês saibam que esse diploma que eu recebi não é um diploma do Lula presidente. É um diploma de uma parcela significativa do povo que reconquistou o direito de viver em democracia nesse país. Vocês ganharam esse diploma.

Em primeiro lugar, quero agradecer ao povo brasileiro, pela honra de presidir pela terceira vez o Brasil. Na minha primeira diplomação, em 2002, lembrei da ousadia do povo brasileiro em conceder – para alguém tantas vezes questionado por não ter diploma universitário – o diploma [se emociona].

Eu quero pedir desculpas a vocês pela emoção. Porque quem passou pelo que eu passei nesses últimos anos, estar aqui agora é a certeza que Deus existe, e de que o povo brasileiro é maior que qualquer pessoa que tentar o arbítrio neste país. Eu sei o quando custou, não apenas a mim, o quanto custou ao povo brasileiro essa espera para que a gente pudesse reconquistar a democracia nesse país.

Reafirmo hoje que farei todos os esforços para, juntamente com meu querido companheiro Geraldo Alckmin, cumprir o compromisso que assumi não apenas durante a campanha, mas ao longo de toda uma vida: fazer do Brasil um país mais desenvolvido e mais justo, com a garantia de dignidade e qualidade de vida para todos os brasileiros, sobretudo para as pessoas mais necessitadas.

Quero dizer que muito mais que a cerimônia de diplomação de um presidente eleito, esta é a celebração da verdadeira democracia.

Poucas vezes na história recente deste país a democracia esteve tão ameaçada. Poucas vezes na nossa história a vontade popular foi tão colocada à prova, e teve que vencer tantos obstáculos para enfim ser ouvida.

A democracia não nasce por geração espontânea. Ela precisa ser semeada, cultivada, cuidada com muito carinho por cada um, e a cada dia, para que a colheita seja generosa para todos.

Mas além de semeada, cultivada e cuidada com muito carinho, a democracia precisa ser todos os dias defendida daqueles que tentam, a qualquer custo, sujeitá-la a seus interesses financeiros e ambições de poder.

Felizmente, não faltou quem defendesse, neste momento tão grave, a nossa democracia.

Além da sabedoria do povo brasileiro, que escolheu o amor em vez do ódio, a verdade em vez da mentira e a democracia em vez do arbítrio, quero destacar a coragem do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, que enfrentaram toda sorte de ofensas, ameaças e agressões para fazer valer a soberania do voto popular.

Cumprimento cada ministro e cada ministra do STF e do TSE pela firmeza na defesa da democracia e da lisura do processo eleitoral nesses tempos tão difíceis.

A história há de reconhecer sua coerência e fidelidade à Constituição.

Essa não foi uma eleição entre candidatos de partidos políticos com programas distintos. Foi a disputa entre duas visões de mundo e de governo.

De um lado, o projeto de reconstrução do país, com ampla participação popular. De outro lado, um projeto de destruição do país ancorado no poder econômico e numa indústria de mentiras e calúnias jamais vista ao longo de nossa história.

Não foram poucas as tentativas de sufocar a voz do povo e a democracia.

Os inimigos da democracia lançaram dúvidas sobre as urnas eletrônicas, cuja confiabilidade é reconhecida há muito tempo em todo o mundo.

Ameaçaram as instituições. Criaram obstáculos de última hora para que eleitores fossem impedidos de chegar a seus locais de votação. Tentaram comprar o voto dos eleitores, com falsas promessas e dinheiro farto, desviado do orçamento público.

Intimidaram os mais vulneráveis com ameaças de suspensão de benefícios, e os trabalhadores com o risco de demissão sumária, caso contrariassem os interesses de seus empregadores.

Quando se esperava um debate político democrático, a nação foi envenenada com mentiras produzidas no submundo das redes sociais.

Eles semearam a mentira e o ódio, e o país colheu uma violência política que só se viu nas páginas mais tristes da nossa história.

E no entanto, a democracia venceu.

O resultado destas eleições não foi apenas a vitória de um candidato ou de um partido. Tive o privilégio de ser apoiado por uma frente de 12 partidos no primeiro turno, aos quais se somaram mais dois partidos no segundo turno.

Uma verdadeira frente ampla contra o autoritarismo, que hoje, na transição de governo, se amplia para outras legendas, e fortalece o protagonismo de trabalhadores, empresários, artistas, intelectuais, cientistas e lideranças dos mais diversos e combativos movimentos populares deste país.

Tenho consciência de que essa frente se formou em torno de um firme compromisso: a defesa da democracia, que é a origem da minha luta e o destino desse país.

Nestas semanas em que o gabinete de transição vem escrutinando a realidade atual do país, tomamos conhecimento do deliberado processo de desmonte das políticas públicas e dos instrumentos de desenvolvimento, levado a cabo por um governo de destruição nacional.

Soma-se a este legado perverso, que recai principalmente sobre a população mais necessitada, o ataque sistemático às instituições democráticas.

Mas as ameaças à democracia que enfrentamos e ainda haveremos de enfrentar não são características exclusivas de nosso país.

A democracia enfrenta um imenso desafio ao redor do planeta, talvez maior do que no período da Segunda Guerra Mundial.

Na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos, os inimigos da democracia se organizam e se movimentam. Usam e abusam dos mecanismos de manipulações e mentiras, disponibilizados por plataformas digitais que atuam de maneira gananciosa e absolutamente irresponsável.

A máquina de ataques à democracia não tem pátria nem fronteiras.

O combate, portanto, precisa se dar nas trincheiras da governança global, por meio de tecnologias avançadas e de uma legislação internacional mais dura e mais eficiente.

Que fique bem claro: jamais renunciaremos à defesa intransigente da liberdade de expressão, mas defenderemos até o fim o livre acesso à informação de qualidade, sem mentiras e sem manipulações que levam ao ódio e à violência política.

Nossa missão é fortalecer a democracia – entre nós, no Brasil, e em nossas relações multilaterais.

A importância do Brasil neste cenário global é inegável, e foi por esta razão que os olhos do mundo se voltaram para o nosso processo eleitoral.

Precisamos de instituições fortes e representativas. Precisamos de harmonia entre os Poderes, com um eficiente sistema de pesos e contrapesos que iniba qualquer aventura eleitoral ou autoritária.

Precisamos de coragem.

É necessário tirar uma lição deste período recente em nosso país e dos abusos cometidos no processo eleitoral. Para nunca mais esquecermos. Para que nunca mais isso aconteça.

Democracia, por definição, é o governo do povo, por meio da eleição de seus representantes. Mas precisamos ir além dos dicionários. O povo quer mais do que simplesmente eleger seus representantes, o povo quer participação ativa nas decisões de governo.

É preciso entender que democracia é muito mais do que o direito de se manifestar livremente contra a fome, o desemprego, a falta de saúde, educação, segurança, moradia. Democracia é ter alimentação de qualidade, é ter emprego, saúde, educação, segurança, moradia.

Quanto maior a participação popular, maior o entendimento da necessidade de defender a democracia daqueles que se valem dela como atalho para chegar ao poder e instaurar o autoritarismo.

A democracia só tem sentido, e será defendida pelo povo, na medida em que promover, de fato, a igualdade de direitos e oportunidades para todos e todas, independentemente de classe social, crença religiosa ou orientação sexual.

É com o compromisso de construir um verdadeiro Estado democrático, garantir a normalidade institucional e lutar contra todas as formas de injustiça, que recebo pela terceira vez o diploma de presidente eleito do Brasil – em nome da liberdade, da dignidade e da felicidade do povo brasileiro.

Muito obrigado.

O agro é o atraso


Neste exato momento, enormes navios carregados de minérios, grãos e outros produtos primários produzidos no Brasil navegam pelos oceanos com destino a outros países, principalmente a China, onde vão ser industrializados e gerar empregos e renda. Na volta, trazem meio container de produtos industrializados. O agronegócio investe uma fortuna em propaganda para tentar se apresentar à sociedade brasileira como a “indústria riqueza do Brasil”. Na realidade, não são indústria coisa nenhuma, mas sim um setor que prossegue com o modelo vulgar e ultrapassado de exportação de matérias-primas. Segundo especialistas, 83% do faturamento da soja, maior produto de exportação agrícola, 83% provém de grãos, 15% de farelo e de um percentual insignificante de óleo. Alardeiam, com uso de uma metodologia manipulada, que contribuem com 27,4% para o PIB do País. Mas, segundo o IBGE, considerando-se o que realmente é o agronegócio (plantas e animais), essa contribuição não chega a 7%. A imagem de pujança e da grande contribuição para o País que nos passam esconde a verdade de um setor altamente concentrado, formado por uma pequena elite muito rica e poderosa. O Censo agropecuário revelou que 85% do valor bruto da produção são gerados em apenas 9% dos estabelecimentos. O restante 15% são de pequenos agricultores e pecuaristas, na maioria empobrecidos. São esses pequenos produtores que aparecem na publicidade como sendo a “cara” do agronegócio. Chegaram a colocar em uma dessas peças publicitárias até mesmo uma líder dos quilombolas, fato que seria risível se não fosse um absurdo. Não pagam imposto de exportação, nem ICMS, nem quaisquer outros impostos (exceto o ITR subavaliado) e ainda são beneficiados pelos festivais de perdões da dívida agrícola pelos bancos estatais. Em 2019, por exemplo, o governo concedeu até 95% de desconto para pagamento de dívidas rurais, fato que se repetiu em 2021, quando igual redução foi concedida para liquidação das dívidas contraídas com o Banco do Brasil. As renúncias fiscais atingem valores astronômicos, avaliadas este ano em mais de R$ 350 bilhões de reais. A maioria dos beneficiados são os grandes produtores. Essa política de renúncias tributárias, de créditos, subsídios e perdões de dívidas, seriam socialmente relevante se o agronegócio fosse um setor gerador de empregos, o que está muito longe da verdade. A mecanização das lavouras e o avanço tecnológico na pecuária têm reduzido em muito a quantidade de mão-de-obra empregada no campo. Estudo do IBGE demonstrou que, desde 2012, o agronegócio desempregou cerca de 1,4 milhão de pessoas. O total de trabalhadores rurais reduziu-se no período de 10,4 para 9,0 milhões. Para manter esse modelo do atraso, precisam de um oportunista no poder, que teve a irresponsabilidade de jogar com os recursos da máquina pública para comprar uma aliança com os ruralistas e, assim, ter o apoio da enorme bancada que esse setor possui no Congresso Nacional. O agronegócio é o setor da economia que mais concentra integrantes radicais que se identificam com as pautas violentas do bolsonarismo, desde a liberação de armas ao desmatamento ilegal, até os delírios antidemocráticos do atual presidente. Foram os que mais contribuíram para a campanha de Bolsonaro, por meio de doações em dinheiro e financiamento de atos antidemocráticos, antes e depois das eleições. São agora os principais financiadores de bloqueios de rodovias e dos acampamentos montados em frente aos quartéis do Exército, clamando por intervenção militar. Não fazem isso só por uma questão ideológica, mas sim econômica. Eles querem a preservação dos inúmeros benefícios fiscais e creditícios que têm e a continuidade do modelo de exportação de matérias-primas, que lhes rendem enormes lucros quase imediatos. Nem pensam na formulação de um projeto agroindustrial, o que poderia agregar valor aos produtos, gerar empregos e renda. Na verdade, o Brasil nunca se empenhou com vigor para criar um forte setor industrial, que era e continua sendo o setor mais estratégico, dinâmico e inovador de qualquer economia. Ao contrário do agronegócio, a indústria é um setor que gera empregos qualificados, o que estimula a educação e eleva os salários. Alguns governantes, no entanto, deram alguns passos para fomentar a criação de um parque industrial no País. Getúlio Vargas, em 1952, criou o BNDES, com o objetivo de assegurar recursos a juros baixos e longos prazos necessários à indústria, o que os empresários desse setor não conseguem obter dos bancos privados, dados os elevados riscos do negócio industrial. Infelizmente, o BNDES, por imposição do atual desgoverno, foi orientado a mudar essa estratégia de financiamento e, desde 2018, passou a financiar mais o agronegócio do que à indústria. E os gestores públicos, nem ao menos tiveram a visão estratégica para exigir que os empréstimos do BNDES fossem utilizados para o desenvolvimento de um projeto agroindustrial, hoje praticamente inexistente. No ano passado, segundo dados da Agência Senado, o banco estatal de fomento destinou 26% dos seus recursos para o agronegócio e somente 16% para a indústria, contrastando com os percentuais registrados em 2009, quando o agronegócio foi contemplado com 5% e a indústria com 47%. Considere-se que os produtores rurais contam ainda com empréstimos subsidiados do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O descaso do Brasil no apoio à indústria, setor estruturante de qualquer economia, é inadmissível e está levando o País a ficar cada vez mais dependente da importação de produtos industrializados, o que poderá trazer sérias conseqüências futuras. A verdade é que a pujança do agro não transborda para o restante da economia brasileira. Enquanto na Região Centro Oeste registra-se, a cada safra, uma explosão de compras de aviões, carros de luxo e de produtos de alta sofisticação, daí não advêm outros benefícios para a sociedade em geral, seja na forma de impostos recolhidos ou de geração de renda e empregos, nem mesmo nas localidades de seu entorno. Fato instigante é que o Brasil, durante o desgoverno Bolsonaro, voltou ao mapa da fome. E a pergunta que fica sem resposta é: como um país que apregoa ser o celeiro do mundo não consegue dar de comer à sua própria população? E a resposta é simples: o agro produz para exportação, para obter altos lucros de forma quase imediata, faturando em dólares. Não tem nenhum compromisso com o povo brasileiro. Enquanto a maioria continua com dificuldade para adquirir o básico para sobreviver, uma minoria se enriquece com o agronegócio, desemprega, espolia o erário, destrói o meio ambiente, dá calotes nas dívidas públicas e supervaloriza sua relevância econômica por meio de vultosas campanhas publicitárias. ()

João Batista Pontes. Geólogo, advogado e escritor

Áudio. Ministro Augusto Nardes fala em “confronto decisivo”: “É necessário acordar todo o Brasil”

Um áudio enviado a um grupo de amigos pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes provoca grande polêmica na República neste início de semana. Na mensagem, Nardes, que é próximo ao presidente Jair Bolsonaro (PL), cita um “movimento nas casernas” e diz que é “questão de horas, dias, no máximo, uma semana, duas, talvez menos, para que um desenlace bastante forte na nação ocorra”.

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