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LIVRO SÉRIO, SOBRE #BOLSONARO

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UM TRABALHO SÉRIO DE PESQUISA, ATUALIZADO DIARIAMENTE.

Nota do autor

O que dizem sobre Jair Bolsonaro, talvez não seja suficiente para saber quem ele é de fato. Em ano de eleição todos os fatos envolvendo candidatos são destorcidos de alguma forma, às vezes de propósito, por aqueles que não são seus eleitores, sobretudo para denegrir a imagem de um adversário, ou ainda estes fatos são aumentados em virtudes, por aqueles que lhes são favoráveis e simpatizantes. Desta forma, penso que o ideal, talvez o que mais se aproxima da realidade, seja verificar o que saiu na mídia sobre esta personalidade, antes e durante a campanha.

Assim sendo, creio que este trabalho de pesquisa imparcial e apolítico tem como premissa trazer ao conhecimento dos que tiverem interesse numa análise sem paixão, tudo que de alguma forma seja relevante para a história da eleição mais conturbada que se tem notícia no Brasil. Usei como critério de credibilidade, a escolha de matérias publicadas na mídia, levando em consideração notícias que não fossem duvidosas, nem de fonte explicitamente parcial, para que este livro possa encontrar leitores também sinceros, que realmente tenham desejo de se informar sobre a maioria dos acontecimentos que viraram notícias na eleição de 2018. 

ACESSE O LIVRO:

 

#BOLSONARO. #ELEIÇÃO2018

 

 

Após mais de 3 horas de depoimento, Lula deixa PF no aeroporto de Congonhas

downloadNa 24ª fase da Operação Lava-Jato, apelidada de Aletheia, os procuradores da força-tarefa do caso no Ministério Público Federal do Paraná afirmam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia propina de empreiteiras

 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Lula prestou depoimento durante pouco mais de três horas no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, e deixou o local por volta das 12h desta sexta-feira (4/3). A PF não informou o local para onde Lula seguiu.

75,5% dos contribuintes ainda não fizeram indicação do Nota Legal

A uma semana do fim do prazo para a indicação do Nota Legal, 75,5% dos contribuintes ainda não fizeram o resgate do crédito para uso em impostos. Dos R$ 50 milhões recuperados, R$ 41 milhões foram destinados ao pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) e o restante para o Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Entre os motivos apontados por especialistas e consumidores para a baixa adesão estão a hipótese pagamento em dinheiro – com isso, o contribuinte fará o resgate somente no meio do ano -, dificuldades técnicas no site, possível descrédito com o programa e até mesmo a cultura brasileira de deixar as tarefas para a última hora.

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Cade anuncia intervenção em postos de combustível

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anunciou nesta segunda-feira a intervenção na Rede Cascol, a maior do DF no setor de postos de combustíveis. A empresa é apontada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do DF como a coordenadora do cartel em atuação na capital federal.

 

O Cade vai nomear um administrador provisório, que ficará responsável pela gestão dos postos da Cascol com bandeira da BR Distribuidora. A Cascol terá 15 dias para entregar ao Cade uma lista com os nomes de cinco possíveis administradores. Eles deverão ter qualificação técnica e ilibada reputação. O conselho escolherá o interventor.

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Governo vai vender 239 imóveis funcionais desocupados e terrenos da União

O governo colocou à venda 239 imóveis funcionais desocupados e terrenos da União em 21 estados e no Distrito Federal. A lista, que está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, inclui as mansões da Casa Civil e do Ministério da Fazenda na Península dos Ministros, no Lago Sul. Os bens serão levados a leilão pela Caixa Econômica Federal, que poderá financiar os interessados cobrando taxas de mercado.

“A Caixa será a responsável pelo processo de alienação. Ela vai avaliar os imóveis e incluirá aqueles com maior demanda nos primeiros lotes. Nossa expectativa é que o primeiro leilão ocorra em 45 dias”, afirmou Guilherme Estrada Rodrigues, titular da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério do Planejamento. Ele adiantou que o governo publicará novas listas a cada bimestre, e que a expectativa é arrecadar R$ 1,5 bilhão até o fim do ano com essas operações.

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Secretaria nomeia 29 médicos de quatro especialidades

Profissionais concursados são das especialidades de anestesiologia, clínica médica, gastroenterologia e radioterapia

– As unidades públicas de saúde do Distrito Federal receberão o reforço de 29 médicos nomeados, nesta quinta-feira (7), no Diário Oficial do Distrito Federal. Os profissionais preencherão vagas de candidatos que foram convocados e não se apresentaram. Entre eles, estão 18 anestesiologistas, seis clínicos, quatro gastroenterologistas, além de um de um especialista em radioterapia.

Com isso, a pasta atinge o total de 1​.​148 convocações desde o início de 2015 até o momento e, segundo a subsecretaria de Gestão de Pessoas (Sugep), Flávia Cáritas, foi autorizada a contratação de mais aproximadamente 1,2 mil profissionais para o início de 2016. A convocação deve sair nos próximos dias.

“Acredito que o ponto principal da nomeação de hoje foi a convocação de anestesistas, que tem a finalidade de restabelecer o andamento dos procedimentos cirúrgicos. Na parte de clínica médica também tivemos diversos contratos encerrados durante o ano de 2015”, destacou a subsecretaria.

Flávia  enfatizou também que a Secretaria de Saúde enfrenta dificuldades para contratar concursados. Em 2015, dos​ 1.056 convocados, apenas 722 tomaram posse. Além desses, 63 pediatras foram nomeados em dezembro e a pasta aguarda finalizar o prazo para contabilizar quantos tomarão posse.

“Sabemos que muitos médicos pedem para ir para o final de fila por estarem em fase de conclusão da especialização para qual concorrem. Por outro lado, muitos não tem interesse de atuar fora do centro de Brasília e, por isso, não tomam posse”, disse.

Os profissionais têm 30 dias para tomar posse e entrar em exercício. Após essa etapa, quando a pasta terá ciência de quantos médicos assumirão as vagas, será feira a distribuição entre as unidades que tem maior deficiência de recursos humanos, principalmente, nas emergência e urgências.

 

 

 

 

 

 

 

Após bebedeira, homem é dado como morto, acorda no IML e vai beber de novo

Após tomar muitas vodcas com os amigos, um russo, da região de Khasanky, caiu em frente aos colegas e foi levado ao hospital. Após chamarem uma ambulância, os médicos constataram que o homem estava morto e o transferiram para o IML local. “Naquela noite, o necrotério estava lotado, os corpos não estavam nas prateleiras, mas no chão”, disse Aleksey Stoyev, um oficial de polícia, ao jornal Khasanskiye Vesti.

 Segundo o policial, em um momento da noite, o russo acordou e começou a gritar por socorro. “Estava muito escuro e frio. Além disso, ele ainda não havia se recuperado da bebedeira”, disse o oficial. Ao ser socorrido pelos funcionários, a polícia foi acionada e liberou o homem.

Em vez de voltar para casa, o homem foi para o bar onde os amigos ainda estavam reunidos. Segundo o jornal, a pessoa que abriu a porta para o homem ficou tão chocada que desmaiou. A publicação disse ainda que a cerimônia passou de apenas uma saída com amigos para uma comemoração de renascimento.

 

O APOSENTADO – um drama social

por size_810_16_9_idosos-caminhandoEvan do Carmo

Na cidade do rio de Janeiro havia um homem robusto, um verdadeiro atleta, um militar disciplinado que servira ao país durante toda sua vida útil. O Senhor José Ribeiro. O mesmo tinha mulher, e apenas um filho homem. Com muita bravura e patriotismo serviu ao exército durante a segunda grande guerra. Foi um dos pracinhas que foram para Itália apoiar os aliados, que combatiam contra o III Reich, esse foi o nome adotado no tempo em que vigorou o regime nazista, de 1933 a 1945, para a Alemanha e o grande império formado pelas nações por ela conquistadas, para servir sob o domínio da Raça Ariana preconizada por ele. O nome foi escolhido pelas ideias do Partido Nacional Socialista alemão (Nationalsozialismus – nazismo), liderado por Adolf Hitler.

Um fato estranho, no entanto foi que, apesar da vontade que os conduziam para a euforia da guerra, com a ideia de se tornarem heróis; ficaram muito mais felizes ainda quando receberam a notícia para voltar, não haveria mais a necessidade de lutar, pois, Adolf Hitler perdera a grande guerra em um dia sagrado, quando a humanidade se viu livre da bactéria mais nociva que viera do inferno, e que já pousara sobre este planeta.

Voltando para sua terra de origem, o soldado raso viraria sargento, promovido e recebido como herói, apesar de não ter lutado, também receberia uma gorda pensão. Não seria mais submisso ao regime militar, desfrutaria seus dias em paz, longe da expectativa de uma nova guerra.

Em casa, sua esposa estava também em paz, e o esperava com os braços abertos. O filho, porém, já homem feito, não se apresentava para lhe prestar homenagem como fazia sua esposa, que sempre lhe acompanhara com o dom do espírito para onde quer que ele fosse.

O filho sempre fora um tanto confuso, não gostava muito das letras, dera muito trabalho para mãe enquanto criança e quando deixou de ser, não melhorara em nada sua conduta, fato esse, que a mãe nunca revelara para o pai, as suas peripécias de jovem delinquente. Achava que o pai era muito o rígido, e por achar que ele seria duro demais na repreenda, devido o fato de ser militar, por ser um homem honrado não aceitaria as maledicências de um filho delinquente e rebelde. Sua vida não lhe permitia que desse atenção diária que devia ao rapaz, que crescera à sombra da conivência da mãe, que se achava um tanto generosa por proteger o rapagão do pulso firme do pai.

Todavia, não fora sempre assim, depois que aposentado, o Senhor José já percebia que o filho não era flor para se cheirar, a não ser se estando embriagado. Logo que se tornou maduro, e que contraiu matrimônio, mostrou de fato quem era: um magnífico explorador de seus pais idosos. A mãe, que tinha saúde fraca morreu pela soma dos desgostos sofridos, na maioria das vezes em secreto.

Ficando o velho José sozinho, para conviver com seus bons vizinhos, que embora lamentassem sua condição opressiva não interferia diretamente nas confusões diárias. O Seu José muitas vezes levava as vítimas do filho ao hospital, um ou outro mais nobre que condenavam suas ações e violência que empregava – o modo opressivo que tratava seu bondoso e idoso pai. Já o filho, dizia sempre depois do acontecido, que fora por causa do excesso de álcool.

Contudo, o malfeitor não escondia mais suas intenções, com relação ao seu cansado pai, que não estava assim tão inútil. O seu José, como era respeitado em todo seu bairro, carregava consigo ainda algum vigor físico, além da moral inquestionável, no entanto não demonstrava, todos o consideravam um idoso indefeso, injustiçado, incapaz de se defender do filho cruel. Parecia ser de fato um homem frágil. Ninguém podia prever do que seria capaz o tão manso e bondoso homem, apesar de sua formação militarista.

Uma vez viúvo, o sargento José não mais suportaria os desmando de um filho inútil. Era tempo de tomar uma atitude, mesmo que fosse drástica, porém que removesse aquela escravidão de uma por todas. Todo o dinheiro que recebia da pensão do estado, não lhe servia, pois o filho tomava para suprir suas próprias necessidades e os abusos dos vícios.

Os vizinhos não suportavam mais o sofrimento de um homem tão bom, e amigo de todos.  As dores do pai injustiçado eram as dores de toda uma vila de moradores antigos, que conheciam de perto a história daquela infeliz família. Entre os bons vizinhos, havia um que merece nossa atenção:

Uma senhora que padecia de uma singular doença, entretanto, não media esforços para auxiliar o querido vizinho que perdera a companheira. Então esta amiga vizinha fazia às vezes da esposa, concernente às obrigações domésticas. Lavava e passava as roupas do seu José, arrumava a sua casa, porém, sempre sob os protestos do José que dizia que ela não devia se preocupar com ele, e sim, que devia cuidar de sua saúde fraca.

Todavia, o filho, não levava em conta o estado de doença crônica da boa vizinha. Muitas vezes, quando ia perturbar a paz do pai, sempre em busca de mais dinheiro para acalentar suas inquietações causadas pela abstinência das drogas e do álcool. O quadro de delinquência piorava a cada dia. Certo dia, quando lá estava a infernizar a vida, ou o resto de vida que possuía o pai, a senhora abnegada chegou no calor da discussão, e não pôde se conter, tamanha fora a pressão que viu o maldito varão dispensar sobre as costas cansadas de seu velho pai. Então intercedeu a favor do seu amigo:

-Não faça isso com seu pai meu filho! Não vê que ele já não aguenta mais tanta pressão, e que você vai acabar matando-o?

-Não se meta! Velha atrevida, isso não lhe diz respeito. Ele é meu pai, e o que eu faço ainda é pouco! Ele merece tudo isso, e muito mais.

-Como pode dizer uma insanidade dessas? Seu pai sempre foi um homem exemplar. Sua mãe nunca reclamou da sua conduta, um pai e um marido, que muitos nessa cidade gostariam de ter.

-Você não sabe de nada, eu vivi só, ele ia e vinha sem se preocupar como eu me sentia na sua falta. E eu sempre usei drogas, minha mãe não falava pra ele com medo da sua mão de ferro, que nunca parou para me dá um carinho.

Enquanto acontecia este diálogo tolstoiano, o seu José se mantinha inerte sobre o efeito das sombrias revelações que ele não sonhara sequer, que sua esposa tão leal pudesse esconder dele, coisa tão séria e reveladora de sua própria consciência de tudo que acontecia debaixo dos seus olhos. Não podia conceber a ideia de ser ele o principal culpado por todo desvio de personalidade do único filho.

Não acreditava no que ouvia, e, com efeito, pôde recordar os dias em que vivia envolto nos seus afazeres de militar, quando acreditava que em casa tudo corria as mil maravilhas, sob os cuidados da mãe tão zelosa e capaz. Todavia, era preciso parar com aquela situação. Um homem da sua estatura moral se via sem desonra, toda vizinhança comentava sobre a sua passividade diante da injustiça do filho viciado.

As dores do pai, que até então se achava um exemplo no que tange prover as necessidades da família, se via agora em um dilema emocional: o de saber, de forma tão abrupta, que não fora competente em edificar no filho as qualidades morais que possuía. No fundo, ele sabia que fora mesmo um pai um tanto ausente, que delegou as responsabilidades de pai para uma mãe também incapaz de imprimir um caráter probo numa criança, que precisava de mão firme para se adequar às regras que se exigia de um cidadão de bem.

Por semanas, ficou o José a meditar nas palavras que ouvira do filho revoltado, que de alguma forma fora vítima de uma criação relapsa. Todavia, não justificava suas atitudes, o desrespeito notório a todos os moradores do seu bairro. Todos os dias que vinha visitar o pai, o filho ingrato forçava a barra para que ele lhe desse todo seu dinheiro, e quando se negava ele tomava à força. O filho do José não lhe dava atenção que precisava, por se tratar de um velho já com as mazelas da idade avançada. Muitas vezes era socorrido por aquela boa alma, que estava sempre atenta para lhe auxiliar em todas as suas desventuras emocionais.

Enquanto isso, o filho do José também se afogava em um mar de desilusão, só que sob a mão poderosa das drogas, onde ele buscava resposta para sua confusa existência. Acontece que mesmo uma pessoa, que por algum tempo tenha vivido sobre os trilhos da moral, conduzido por princípios; uma vez escravo das drogas não responde mais por suas ações, sobretudo, quando está enlouquecido pelo ópio alucinante. É muito perigoso o convívio com alguém que faz uso de qualquer tipo de drogas, e não pense que o álcool não faz parte das drogas mais nocivas à mente humana.

Um dia, depois de gastar tudo que tinha e o que não tinha, depois de vagar por dias longe de casa, o filho do José, como era costume, aparece, desta feita à meia noite, fazendo estardalhaço, gritando que ia matar o pai se o mesmo não lhe desse mais dinheiro para completar sua loucura.

O Senhor José acordou atordoado pelo escarcéu que vituperava mais uma vez a sua reputação diante das pessoas que lhe tinha em alta estima, apesar de saberem dos rumores a respeito do filho delinquente. Até então, tinha mantido as confusões maiores em secreto, os piores abusos que sofria às mãos impiedosas do filho único. Todavia, aquela noite, um homem pacato que não se excedia em nenhum limite, não suportaria passivo à outra violação dos seus direitos. Depois de ouvir o que mudaria de uma vez para sempre sua história de homem calmo, depois de ouvir o que não queria, e o que não imaginaria, ainda mais sobre os ouvidos atentos dos seus bons vizinhos, seu José não teria mais cara para encarar seus conhecidos, aquelas pessoas que ele conhecia desde o tempo de rapaz. Também sabia que todos esperavam dele uma atitude à altura da sua reputação, do nome que construíra em muitos anos de dedicação e companheirismo social. Vivendo a angústia derradeira, de um pai que perdera total e definitivamente o domínio sobre um filho, não sabe mais o que pensar; em sua cabeça só passa a vergonha do dia seguinte, onde todos lhe dirigirão um olhar, no mínimo de repúdio, por ter ele trazido à luz pessoa tão desqualificada como era, a olhos nus, seu primeiro e último filho.

Entretanto, a confusão não ficaria apenas do lado de fora de casa: sobre o silêncio de um pai envergonhado. O filho arrebenta a porta que sempre estivera aberta, como aberto fora o coração das duas almas que lhe recebera como filho, aquela linda e meiga criança que fora um dia. O filho sobe as escadas, como quem carregava consigo a força de sete demônios – os quais o ajudara a consumir toda droga que encontrara e que pudera comprar com o dinheiro honesto do pai.

Lá em cima, o pai espera descrente, da visão que lhe adiantara o seu estado psíquico-emocional, seria a última vez que olharia nos olhos vermelhos de um ser que ajudara pôr no mundo. Dentro do seu quarto, que fora seu abrigo nas noites de completa solidão, onde sonhava com a sua amada de tantas décadas e momentos felizes, que partira para não ver o final trágico daquele que tanto amara, até de forma irresponsável, quando omitia do pai os desvios de conduta do filho errante. O bravo José aguardava o desfecho de um conflito shakespeariano, o momento que seria o fim trágico para o que restara da sua família.

De arma em punho, assustado, diante de um quadro inimaginável; enquanto o filho sobe as escadas em sua direção com passos firmes e com um pedaço de ferro nas trêmulas mãos, e com a fúria insana no olhar, que denunciava sua resolução final, um pai, um homem que errara por inocente repetição, tenta compreender o incompreensível: como voltar ao passado para consertar um erro irreversível? Todavia, não lhe será permitido uma segunda chance. Há mesmo ações que não serão amenizadas nas suas consequências.

Ao ser humano não foi concedido o dom divino de viver várias vidas, só temos direito a uma escolha, se a fizermos mal, não poderemos recomeçar do zero, do zênite da nossa concepção de mundo, sobretudo no que respeita à criação de um filho. Uma vez que o mesmo se torna adulto, não há como fazer de novo, ou fazer de outra maneira, já estará definido, concretizado o nosso projeto, seja ele uma obra prima, ou um mero fracasso, um triste engano, ou um erro de cálculo.

Sobre o poder mágico da angústia, o pai não tem mais raciocínio lógico, agirá como qualquer ser acuado, não discerne bem a gravidade do momento, e seu instinto falará mais alto do que sua questionável razão. O pai apenas se defenderia? Como é irônico o instinto humano, que nós, quando nos encontramos longe da frêmita paixão pela vida, chamamos de racionalidade. Há, portanto, crédulos que afirmam: isso sobre os demais: “alguém que ama não pode por motivo algum ser capaz de matar”.

Então veremos:

A porta do quarto está bem fechada. Que denota isso? Se por acaso ocorrer um crime pode ser qualificado como legítima defesa.

Para um ancião de quase setenta anos, que nunca vivera um drama similar, não será fácil prever as suas reações, embora já nos pareçam óbvias. Todavia, para um bom atirador que exercitara por anos o manuseio de armas de fogo, até de grosso calibre, pode parecer coisa fácil disparar à queima-roupa e acertar em cheio um alvo tão visível.

No último degrau da escada uma alma perdida chega ao topo da estupidez, derruba a porta com apenas um pontapé, e grita para um homem velho, que se encontrava em lástima:

“Agora velho covarde, vai ou não me dar tudo que é meu por direito? Quero tudo, não só mais um mísero dinheiro como das outras vezes.”

Juntos com as frias palavras, despeja sobre a face do pai um golpe que poderia ser fatal. Um pai não diz uma palavra e abraça o monstro que fora um dia seu filho. E sobre o calor do abraço dispara um tiro de misericórdia na nuca do filho assassino. E os dois caem abraçados.

 

GOVERNO QUITA PEDALADAS COM O FGTS E PARTE DA DÍVIDA COM O BNDES

No apagar das luzes de 2015, o governo federal fez uma engenharia financeira para quitar quase a metade das chamadas pedaladas fiscais, condenadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Foram editadas nesta quinta-feira (24) uma Medida Provisória e uma portaria para colocar em dia as dívidas de R$ 10,9 bilhões da União com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 15,1 bilhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O total pago corresponde a 47% do total de R$ 57 bilhões de dívidas reconhecidos pela própria equipe econômica.

A dívida com o FGTS se refere à multa adicional de 10% paga pelas empresas quando demitem sem justa causa os funcionários. O dinheiro deveria ter sido repassado ao fundo dos trabalhadores, mas estava sendo usado para cobrir as perdas de arrecadação desde 2012. O passivo com o BNDES são de subsídios que o Tesouro deveria bancar nos empréstimos que o banco concede ao setor produtivo. Além dessas dívidas, as pedaladas também envolvem atrasos de repasses à Caixa Econômica Federal para os pagamentos de benefícios sociais, como o Bolsa Família, e ao Banco do Brasil, nos financiamentos aos produtores agrícolas com juros mais baixos.

O governo prometeu apresentar um cronograma de pagamento das pedaladas ainda este ano ao TCU. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que a regularização dessas dívidas era prioridade de sua gestão, mas não deu garantias de que seriam quitadas em sua totalidade.

Nesta semana, o relator das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), recomendou a aprovação das contas da petista com ressalvas, contrariando a decisão da corte de contas. O argumento dele é de que as manobras não se constituem crimes de responsabilidade fiscal. O pedido de impeachment da presidente Dilma, aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se baseia, entre outros pontos, na prática das pedaladas, que teriam continuado neste ano.

O governo ainda remanejou R$ 9 bilhões para o Ministério das Cidades com o intuito de quitar outra dívida do Tesouro com o FGTS referente ao Minha Casa Minha Vida. Pelas regras, nos financiamentos das faixas 2 e 3 do programa de habitação popular, o FGTS arca com 82,5% dos subsídios e o Tesouro com os outros 17,5%. Nos últimos anos, porém, o fundo pagou a totalidade dos subsídios para cobrar da União depois. A conta devida pelo governo foi acertada agora em uma parcela única.

BNDES
Na outra mão, a Medida Provisória publicada nesta quinta-feira também determina que as receitas que o BNDES pagar ao Tesouro ao longo dos próximos anos serão usadas para abatimento da dívida pública. O banco tem dívida com o Tesouro por causa da emissão de títulos desde 2008 usada para a capitalização da instituição financeira. “Como as concessões de crédito ao BNDES foram feitas a partir da emissão de títulos públicos, a medida assegura que o retorno dessas concessões seja destinado à amortização dessa dívida”, informou o Ministério da Fazenda.